quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tantas histórias numa porta de armário

Eu tenho um livro no consultório que as crianças gostam muito.
Ele conta a história de uma jovem chamada Vânia ( que não é a minha irmã ) que na pressa de pegar uma roupa pra sair deixa cair do armário uma caixa de sapatos. Dentro dessa caixa estão vários objetos guardados por ela e cada um desses objetos tem uma história. Então ela começa a lembrar dessas histórias e quase perde a hora do compromisso. O nome do livro é " Tantas histórias numa caixa de sapatos".
Hoje, feriado, para quem não tem faxineira pode ser o dia de limpar o armário. E foi o que eu fiz.
Descobri, então, uma série de coisas ali guardadas que como no livro me fizeram lembrar de algumas histórias.
Sem dúvida, de todas elas a mais antiga é a boneca Beijoca que, para meu espanto, ainda solta beijinhos. A roupa eu tive que jogar fora e tentei limpar o rostinho dela mas não melhorou muito. É a recordação de um Natal em família, quando se ganhava um único presente e por isso ele era tão importante. Brinquei muito com ela por muito tempo.
Depois encontrei o estojo de manicure que ganhei da Roseli quanfo fiz 15 anos. E aí veio a lembrança da festa tão esperada dos anos 60. Todas as meninas de branco pra aparecer bem na luz negra. Margaridas enfeitando o lugar , cuba libre e aquelas músicas que eu nunca vou esquecer.
Passaram-se muitos anos e então eu vi novamente meu vestido de noiva. Fico pensando quantas mulheres guardariam por 29 anos um vestido de noiva e com certeza faço parte da minoria. Mas ele me traz lembranças de um dia maravilhoso e foi feito pelas mãos da minha mãe.
Depois achei dezenas de bilhetinhos de meus filhos. No começo só desenhos, depois algumas palavras ( "mamãe eu te amo" ) e por fim cartinhas que eram jogadas como aviõezinhos quando eu estava distraída.
A mais recente de todas as coisas que encontrei foi a caixinha com lembranças do casamento da Amanda. Tinha o potinho do chá de cozinha, os convites, o laço e algumas pétalas do buquê.
Assim como a personagem do livro quase perdi a hora de fazer o almoço e pensei em me desfazer de algumas dessas coisas. Mas depois eu as coloquei no mesmo lugar em que estavam todo esse tempo. Porque elas só me trazem boas lembranças e me fazem ver como a minha vida foi e é tão boa. E que fases ruins existem sim mas passam...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Para Amanda

Querida filha

Nós escolhemos trabalhar com seres humanos e por essa razão temos uma responsabilidade muito grande. Não podemos cometer algumas falhas porque elas implicam, muitas vezes, em erros que envolvem a vida das pessoas.
Quando você saiu do último emprego eu acredito que algumas pessoas devem ter pensado como você pode largar um trabalho sem ter outro em vista. Eu confesso que também cheguei a pensar nisso algumas vezes.
Mas eu tenho que lhe dizer que sinto orgulho de você por ter tido a coragem de abrir mão de uma coisa que você não se sentia segura em fazer. Isso se chama honestidade e é uma das maiores virtudes que o seu humano pode ter.
Eu poderia ter ganho muito dinheiro com pacientes gagos e com famílias que procuram desesperadamente por uma fono que atenda seus familiares portadores de sequelas de AVC. Mas eu nunca tive coragem de atender tais casos porque não me sinto segura . Então eu acho que você "herdou" isso de mim.
Se hoje você procura por um lugar onde possa mostrar toda a capacidade que tem ( e eu tenho certeza que vai encontrar ) sei que sua consciência está tranquila embora a caminhada seja difícil.
E eu espero que essa coragem que você tem de tentar sempre mas com os pés no chão, a acompanhe pela vida inteira. Eu , pelo menos, tenho a certeza que você aprendeu tudo o que eu quis lhe ensinar e que eu não poderia ter uma filha melhor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Roda viva

Eu cresci vendo minha mãe costurar e meu pai fazer contabilidade. Minha mãe foi e ainda é maravilhosa na costura. Meu pai trabalhava muito e não podia assinar as escritas que fazia pois não tinha diploma. Dividia o que ganhava com um amigo que assinava a contabilidade por ele. O som que embalava meu sono quando criança era o do pedalar da máquina de costura e das teclas da máquina de escrever. Havia também o som de um radinho de pilha que irradiava jogo de futebol e quando não tinha jogo era o som de músicas acompanhadas de um lápis batendo o ritmo na mesa. Aliás, meu pai conseguia fazer o que eu nunca consegui, que era trabalhar ouvindo música. Eu não tinha a menor consciência da situação financeira que vivíamos. Nunca me faltou nada mas a vida era simples. Nada de viagens, nada de restaurantes, nada de roupas caras. Por incrível que pareça foi na semana passada que minha mãe deixou escapar que um dia ela terminou um vestido e com o dinheiro que recebeu saiu para comprar "mistura" pois não tinha nada naquele dia. Mas seu era tão feliz!!! Eu tinha tudo o que precisava e que o dinheiro não compra: uma família, amor, carinho e acima de tudo uma coisa que eu só descobriria alguns anos mais tarde. Quando me casei conheci um outro lado da vida que eu não estava acostumada. Saía muito, ia a bons restaurantes e comprava tudo o que queria. Mas no fundo eu sempre fui uma pessoa simples, de hábitos simples. Tudo o que aprendi na infância chama-se Felicidade. Ela não depende de nada que venha de fora de nós. Hoje eu estou passando uma fase difícil e mesmo assim sou uma pessoa feliz. Não tenho saudade de nada que ficou dos dias de fartura. É claro que havia mais tranquilidade no sentido financeiro mas se essa é lição que tenho que aprender, vamos em frente. Agradeço a meus pais pelo exemplo de coragem, dignidade e honestidade. Não há nada que me faça esquecer dessas coisas. "Roda mundo, roda gigante roda moinho, roda pião o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração".

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Zig

Violeta, Bolinha, Marujo, Tuca, Dick, Pituca, Thor, Tilim, Fred, Aira, Tob, Nick e........Zig!!
Esse é o nome do mais novo membro da família canina que me acompanha há muito tempo. É o cãozinho da Amanda e do Marcelo e parece um bichinho de pelúcia. Lindo, lindo!
Ficamos preocupados com o Nick que é "filho único" aqui em casa mas é até engraçado ver os dois juntos.
O Zig vai atrás do Nick o tempo todo e quer pegar não só seus brinquedos como suas orelhas.
O Nick, por sua vez, quer disfarçar tentando ignorar a presença do pequeno amigo mas demonstra ciúmes demarcando seu território com xixi.
Mas não se preocupe Amanda, o "monstro peludo" não está triste e nem se sentindo traído. Ele vai continuar amando você.
Afinal, se existe memória canina, como ele poderia esquecer de você nos 15 anos, na formatura, nas tardes no sofá encolhidinho na manta, no cantinho dos pés da sua cama, dos seus sorrisos, de lamber suas lágrimas e do "auge" tirando fotos de gravata com você de noiva?
Tenho certeza que ele e o Zig serão bons amigos.
Desejo que o Zig traga a você o tanto de alegria que o Nick trouxe até hoje. Que ele seja seu companheiro e tenha muita saúde.
O Nick continua sendo seu também mas ele não vai ensinar os truques que sabe fazer tá?

sábado, 2 de outubro de 2010

Para Amanda

Armários e gavetas vazias.
O barulho do secador, os longos minutos no chuveiro, o toque do celular...
Perfumes, cremes, xampus...
O cafezinho no final da tarde, o beijo na manhã e antes de deitar.
Cheiros e sons que eu não tenho mais no meu dia a dia.
Será essa a síndome do Ninho Vazio?
Na verdade o ninho construído nunca estará vazio pois ficará sempre aqui, esperando o pouso depois de novos vôos.
Não é tristeza, pois a minha felicidade está diretamente ligada à felicidade dos meus filhos. E se eles estão felizes eu também estou.
É um sentimento que eu ainda não tinha experimentado e porisso não sei o nome. É a vontade de dar o beijo, fazer carinho, abraçar e ter que esperar, quando antes era só esticar os braços.
Amanda, com certeza essa casa será sua para sempre e meu amor também. Existe um pouco de você em cada coisa que eu olho.
Que a sua nova vida tenha bases sólidas para resistir às dificuldades.
Você é a minha Fênix. Deus te abençoe e eu te amo para sempre.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Recebendo notícias

Eu sempre acreditei que a vida não termina aqui. Não sei exatamente para onde vamos mas creio que pessoas queridas nos esperam e que aprendemos e evoluimos.
Mesmo assim, nunca procurei receber notícias de quem partiu. Meu pai, certa vez, mandou uma mensagem e eu acreditei que fosse ele mesmo pois foi sem que eu pedisse e ele encerrou com um gesto que sempre fazia quando estava entre nós.
Fiquei muito tempo querendo saber o que havia acontecido com o Alexandre e porque ele partiu tão cedo. Hoje sei que não terei a resposta, pelo menos enquanto eu estiver por aqui. E comecei a só querer saber se ele estava bem.
Esta semana, sem eu esperar, tive a imensa alegria de saber que tudo está bem com ele. Que a enorme saudade que sinto dele, ele também sente por mim e que procura me ajudar quando pode.
Como a Amanda escreveu, o sentimento não muda e a gente aprende a gostar de um modo diferente. E é assim que deve ser, eu acho.
Sei que enquanto eu viver não vou esquecer do Alexandre. Apesar da saudade, me conforta saber que ele está bem e que também não esquece de mim e peço a Deus que ele evolua sempre para poder nos ajudar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O tempo

Hoje eu acho que as coisas estão nos seus lugares.
Se o tempo está deixando meus cabelos brancos, me fazendo mais lenta e mais chata, está também curando e cicatrizando feridas.
Hoje eu consigo enxergar novos caminhos que na verdade sempre estiveram lá. Consigo respirar aliviada quando vejo duas mãos entrelaçadas ao invés de duas mãos sozinhas. E agradeço a Deus por não ter perdido a esperança de ver novos sorrisos e sonhos.
Mas o tempo não apagará as lembranças porque elas não devem ser apagadas. Elas devem pemanecer guardadas num lugar especial do coração com carinho e sem dor. E se algumas vezes eu sentir vontade de chorar será por saudade e não por tristeza.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sentada à beira do caminho

Por mais que eu tente, não consigo processar tantas mudanças de uma forma tão rápida.
É muito difícil para mim, que já passei dos 50, enxergar a realidade de uma forma tão diferente daquela que eu um dia sonhei.
Egoísmo? Falta de modernidade? Pode ter o nome que for e eu até me esforço para entender e aceitar mas meu coração está triste. Não tenho receio de dizer e acho que até tenho o direito de sentir o que estou sentindo.
As pessoas vão, por diversos motivos, seguindo seus caminhos e nós ficamos somente tendo notícias, olhando de longe. Mas o que fazer com o amor que sentimos? O que fazer quando os espaços ficam cada vez menores pra nós?
Não é fácil enxergar um fato novo esquecendo outros mais antigos e diferentes. Mas afinal, os sonhos eram meus e eu é que preciso dar um jeito neles. Talvez eu tenha que guardá-los naquela caixinha onde já guardei tantos outros e esquecê-los. A duras penas mas esquecê-los.
"Estou sentada à beira do caminho que não tem mais fim".

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Roberto Carlos

Gosto do Roberto Carlos sim, seja ele brega ou não. E só agora, depois de mais de 40 anos é que fui assistir o show dele.
No dia 21 tive a felicidade de ouvir de perto suas músicas e quando ele entrou eu não acreditei que era ele mesmo que por todos esses anos parecia tão distante de mim.
Procurei muito uma blusa azul para vestir no dia, pois sei que é a cor predileta dele ( e minha também ) mas não achei. Então fui de branco e fiquei feliz quando ele entrou no palco do Ibirapuera de branco também.
A cada música, cenas da minha vida foram se passando como um filme. Lembrei de outras épocas, de muitas pessoas e acontecimentos. E durante todo o show, como que por mágica, eu esqueci de tudo que ficou do lado de fora. Era eu, sozinha, ouvindo e cantando aquelas canções que marcaram minha vida.
Acho que se eu pudesse dizer para ele uma palavra eu diria "obrigada". Obrigada por embalar com suas músicas meus sonhos de adolescente, por me fazer recordar de pessoas queridas e de fatos inesquecíveis.
O Ibirapuera estava lotado e eu era mais uma no meio daquele mundaréu de gente passando despercebida aos seus olhos. Mas ele encheu meu coração de felicidade e fez a minha sexta-feira ser um dia especial.
Vou lembrar esse dia para sempre.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amigos peludos

Na minha família as pessoas sempre tiveram cães.
Eu lembro da Violeta, da Bolinha, do Marujo, da Tuca, do Dick, da Gracy e do Tilim. mas fora esses havia outros.
Quando o Nick chegou em casa eu não queria. Aquela bolinha branca fazia xixi em todo canto e eu sabia que depois da empolgação de ter um cãozinho em casa "ia sobrar pra mim".
Mas quem é que não se deixa envolver por uns olhinhos tão lindos, pelas travessuras e acima de tudo pela amizade? Ele ficou e eu chorei quando descobri que ele era epilético.
Junto com a epilepsia vieram outros problemas e agora, com a idade, outras pequenas coisas vão aparecendo. Talvez eu perceba mais essas mudanças pois fico mais com ele.
Já está mais difícil subir no sofá e pular para pegar o ossinho. Ele procura mais o sol e fica muito tempo deitado se esquentando onde acha sua luz. Está mais manhoso e suas idas ao veterinário tem sido mais frequentes.
Mas continua sendo o amigo fiel que me espera com o rabinho abanando, que vai buscar os brinquedos quando está feliz e que fica do meu lado mesmo quando eu estou muito chata.
Hoje descobrimos que o Tob ( o cachorro da Vânia ) não fará a cirurgia que precisa, por enquanto, pois está com um probleminha no coração. E eu senti uma grande tristeza na voz da minha irmã e um medo muito grande de perdê-lo.
Como explicar essa amizade? Muitos não entendem e acham até um absurdo gastar tanto tempo e dinheiro com os bichinhos. Mas só quem convive com eles é que sabe o quanto essa amizade nos fortalece e alegra.
E apesar de eu estudar tanto sobre a linguagem oral e a sua importância, sei que o Nick se faz entender por seu jeito e por seu olhar. E sei que o amor não é, definitivamente, um sentimento exclusivo do homem.
Benditos sejam nossos amigos peludos.

sábado, 14 de março de 2009

Na verdade eu deveria ter escrito esse texto ontem mas não consegui.
De todas as possibilidades eu prefiro acreditar que você está bem. Do fundo do meu coração espero que amigos especiais o tenham esclarecido e guiado. Que você já consiga dar alguns sorrisos mas, que acima de tudo, não esqueça que nossa amizade é eterna.
E hoje, em especial, receba muitos e muitos botões de rosas brancas, como os que eu envio a você todos os dias.
Você estará sempre dentro do meu coração, meu doce e inesquecível amigo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aprendendo mais

Eu nunca gostei de tatuagem.
O Alexandre tinha uma bem grande nas costas e eu nunca consegui dizer que era bonita e que eu gostava dela.
Por isso, quando a Amanda disse que faria uma, é claro que dei o contra. Afinal eu achava que tatuagem não combinava com ela. Tentei convencê-la de que aquela "marca" ficaria para sempre e que ela poderia se arrepender. Mas não teve jeito.
Apesar da minha cara feia ela tatuou a borboletinha no ombro e eu confesso que achei até bonitinha. Mesmo porque não era uma borboleta qualquer. Era aquela que ela encontrou uma vez quando estava indo pro trabalho e que está guardada até hoje numa caixinha. Ela representava a transformação.
Eu achei que a coisa tinha parado por aí. Mas recentemente ela disse que faria outra.
Só que desta vez eu não dei o contra. Mais uma "marquinha"? Não tinha problema algum...Essa seria visível, só isso...Piores são as que não aparecem.
Várias vezes perguntei o que seria dessa vez mas a Amanda não respondia. E então eu fiquei pensando que a única coisa que justificaria uma nova tatuagem seria a Flor de Lótus.
Quando eu estava entrando com ela no estúdio ela confirmou minhas suspeitas e disse que a Flor de Lótus nasce do lodo e é tão linda! E eu acrescento que ela é o símbolo da pureza e segundo sua lenda é a junção dos quatro elementos da natureza: água, fogo, terra e ar.
Enquanto eu esperava do lado de fora fiquei pensando que nunca me passou pela cabeça ir a um lugar daqueles e que eu havia conseguido, com 54 anos, aprender mais uma lição da vida. Que as pessoas são lindas independentes de terem ou não tatuagens no corpo e que com certeza cada marca tem seu significado.
O tempo passou rápido e quando a Amanda me chamou para ver como tinha ficado eu achei linda!! Combina muito bem com ela. Linda, pura e renascida com mais força.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Recompensas

Definitivamente, eu nunca consegui ganhar muito dinheiro com a minha profissão. Mas consegui ganhar coisas que o dinheiro não compra.
Hoje encerrei meu ano de trabalho no consultório e nessa semana ouvi e vi coisas que me deixaram feliz e com a certeza que cumpri meu dever.
Vi as lágrimas nos olhinhos da Isabela que neste momento deve estar dentro do avião indo morar no Japão. Recebi um beijinho gostoso do Gabriel que veio todo feliz me entregar a toalha branca de presente. O outro Gabriel também estava feliz escondendo o presentinho para me fazer surpresa.
Ontem o Henrique ( que me deixa com mais cabelos brancos) veio correndo e me abraçou com força e hoje a Cristina me agradeceu pelos momentos em que eu simplesmente a escutei quando ela precisou falar. E foi também muito bom ler o bilhetinho do Gustavo que não conseguia se alfabetizar e ver a alegria do Gabriel ( o terceiro ) me contando que havia passado de ano.
A Dislexia do Luis não o impediu de nesse ano aprender a ler e escrever e nesta semana ele veio me contar que passou direto, sem recuperação.
É claro que nem todos sabem demonstrar carinho mas para esses eu dei de presente a alta da terapia como foi o caso do Vinicius, Gustavo e Kevin.
Mais um ano de muitas alegrias trabalhando com a Fonoaudiologia. E é muito bom ver que pude melhorar a vida das pessoas e que em cada uma delas vai ter sempre uma lembrança minha.
Obrigada pai, pelas noites em que eu escutava o senhor datilografando depois de trabalhar o dia todo, para aumentar um pouco o dinheiro. Obrigada mãe, pelas noites em que eu escutava o barulho do pedal da máquina de costura e tudo para poder pagar a minha faculdade.
Foi a maior herança que vocês puderam me deixar e foi uma das melhores escolhas que fiz na vida.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

As flores amarelas

Tenho ido trabalhar a pé algumas vezes. Meu médico disse que eu preciso caminhar e como o consultório é bem perto de casa, aproveito para seguir a orientação médica.
Na semana passada , quando eu já tinha subido a ladeira e feito a curva para depois atravessar a rua, vi as flores amarelas caídas por sobre o muro da casa.
Eram as mesmas flores que enfeitavam a entrada de Eldorado. Eu tenho até uma foto da Amanda pequenininha fazendo pose embaixo da trepadeira carregada das flores amarelas.
Então eu me lembrei dos domingos que passávamos lá quando as crianças eram pequenas e me deu uma saudade...
Mas a lembrança foi mais longe e eu me lembrei do pequeno jardim da casa do Ipiranga, quando eu era pequena e que por coincidência, tinha as mesmas flores. E lembrei da minha avó Adonina dizendo carinhosamente ( pois ela nunca foi capaz de dar uma bronca) que eu não deveria estourar os botões das flores.
Isso tudo eu pensei em alguns segundos parada de frente pro muro florido. E quando voltei das divagações olhei para os lados e vi que estava sozinha.
Então me aproximei do botão mais gordo que tinha e sem dor na consciência apertei-o com força ( me desculpa, vó ). Escutei aquele "ploct" que fez parte da minha infância e me senti tão feliz!!
Aquele botão não iria dar a flor amarela tão bonita mas ele fez meu dia ser mais alegre e eu por alguns instantes voltei a ser criança novamente.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Para Cecília

Eu não me lembro quando foi a primeira vez que a vi. Estávamos no ginásio ( naquela época era assim) no Seminário Nossa senhora da Glória.
Ela tinha apenas 1:20cm e ,é claro, chamava a atenção de todo mundo. Com o passar do tempo fiquei conhecendo sua história.
Cecília tinha um problema ósseo. Seus ossos se quebravam com muita facilidade e ela havia passado a maior parte de sua infância na cama engessada.
Mas essa parte da história eu não vou contar.
Ficamos grandes amigas. Amigas de muitas risadas, de confidências, de desabafos e de choros. E por frequentar muito a casa dela eu sabia do medo que a família tinha com relação a tudo que ela fazia. Era, na realidade, um cuidado muito grande.
Terminamos o ginásio, fizemos o colegial e o cursinho juntas. Meu braço era seu apoio e eu fiquei tão conhecida quanto ela pois não nos separávamos.
Embora seu corpo fosse pequenino, sua alma era grande e queria voar longe.
Seu primeiro vôo foi a faculdade de odontologia no interior de São Paulo.
Mas ela não se contentou só com isso. Amou como as almas grandes amam e apesar de todo o medo da família casou com o homem que ela mesma escolheu.
O vestido de noiva foi minha mãe que fez. Ela estava tão bonita....
Mas o vôo não parou por aí. Para quem deixar as lições de vida que ela havia aprendido? Para quem deixar o exemplo do esforço e da conquista mesmo quando a vida nos priva de algumas coisas?
E foi então que ela escolheu duas meninas para passar adiante sua história e que lhe deram a oportunidade que lhe faltava de ser chamada de mãe.
O resto da história eu prefiro não contar. Porque a vida dela foi tão bonita que é isso que eu quero lembrar quando sua imagem vem ao meu pensamento.
Talvez ela tenha sido um dos melhores exemplos que eu tenho da alegria e da força com que alguém enfrenta a vida. E se foi tão curta, foi o suficiente para que eu aprendesse a amá-la e tê-la como uma amiga querida para sempre.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Shirra e He Man

Mamãe vou te contar
um segredinho, vem cá.
Prá mim você é melhor do que a Shirra,
mais forte que o He Man
mais veloz que um avião...
Mas cabe todinha no meu coração.

Foi essa a musiquinha que eu ouvi no dia das mães de 1994 e nunca mais esqueci.
Lembro que chorei muito e fiquei emocionada. Afinal eu estava sendo comparada a super heróis.
E pensando bem acho que como eles eu tinha também meus super poderes. Tinha o super beijo, o super colo, o super abraço. E o melhor de tudo é que eles funcionavam mesmo.
Eu aplicava um desses poderes a qualquer tristeza ou medo do Thiago e da Amanda e tudo passava. No dia seguinte estava tudo bem novamente.
Mas o tempo passou e embora eu ainda tenha esses poderes guardados dentro de mim, eles já não funcionam como antes.
Não é sempre que consigo solucionar os problemas e isso me deixa triste. Sei que não é porque estou mais velha ou porque esses poderes enfraqueceram. Acho que é porque a vida vai nos apresentando situações difíceis pelas quais temos que passar e somos obrigados a prosseguir apesar delas. Acho até que hoje, a Shirra é a Amanda e o He Man é o Thiago porque são eles que com seus poderes de sorrir e enxergar a vida com esperança me dão alegria e felicidade.
Os papéis se inverteram e eu agradeço a Deus por ter esses super heróis do meu lado.

sábado, 12 de julho de 2008

Saturday musical

1. Colocar uma foto sua (tem que ser foto individual): não tenho nenhuma foto recente

2. Escolher uma banda/grupo/cantor e responder somente com títulos de suas canções: Roberto Carlos porque suas canções marcaram vários momentos da minha vida
3. Escolher 8 pessoas para que façam o teste, sem esquecer de avisá-los no seu fotolog (no meu caso, blog): como meus amigos não têm blog, não repassarei para ninguém

1. Você é homem ou mulher? Mulher de 40 ( de 50 )
2. Descreva-se: Amor sem limite
3. O que as pessoas acham de você? Amiga
4. Como descreveria seu último relacionamento amoroso? Emoções
5. Descreva sua atual relação com seu namorado ou pretendente: Recordações e mais nada
6. Onde queria estar agora? Além do horizonte
7. O que pensa a respeito do amor? Força estranha
8. Como é sua vida? Sentado à beira do caminho
9. O que pediria se pudesse ter apenas um desejo? Um milhão de amigos
10. Escreva uma frase sábia: Quero que vá tudo pro inferno

terça-feira, 24 de junho de 2008

Céu da boca

Quando eu pensei que já tivesse visto de tudo, estava enganada.
A secretária do consultório disse que havia marcado uma consulta para uma criança cuja mãe era muito esquisita. Não me preocupei com o comentário pois estou acostumada com "mães esquisitas".
Mas aquela realmente chamou minha atenção.
Tinha a nítida impressão que ela não entendia o que eu estava dizendo e eu confesso que também não entendia o que ela dizia. Desconfiei que ela fosse deficiente auditiva ( entre outras coisas ), dado que ela confirmou somente no final da entrevista.
Fiz as perguntas de costume e as respostas foram vagas, imprecisas. Quando perguntei se ela havia ingerido álcool durante a gravidez ela começou a rir e eu pensei: será que além de tudo ela é alcoólatra?
Só então ela me explicou que havia bebido álcool com algumas ervas para ver se abortava.
E a partir daí eu comecei a sentir que a história era mais triste do que eu pensava.
Ela dizia que a criança quase não comia pois havia feito uma cirurgia na garganta que "era aberta" e só foi fechada aos 3 anos mas havia perigo da cicatriz abrir.
Entregou-me então um prontuário do Hospital das Clínicas, onde a cirurgia foi feita, e onde havia o nome daquilo que ela não soube me dizer: palatoplastia.
A criança havia nascido com o céu da boca aberto, a cirurgia só foi feita aos 3 anos e o encaminhamento para fono constava dessa época (2003).
Conheci G. dias depois. Estava muito frio e ela tinha somente um moleton fininho.
Está agora com 8 anos. Fala muito mal, quase não tem amigos e não consegue ser alfabetizada. É franzina e carente...
Não atendo essa patologia mas fui atrás de uma entidade que atende gratuitamente e a fono de lá, com toda a gentileza, se propôs a avaliar a menina.
Marquei um dia pra essa mãe retornar e ela não apareceu. Não deixou telefone pois disse que não tinha. Só tenho seu endereço.
Fico me perguntando o que faço agora e fico lembrando daquela carinha pedindo ajuda...
Estou disposta a fazer uma coisa que nunca fiz: ligar para a assistente social do posto de saúde e pedir que vá ao encontro dessa mãe. Não há mais tempo a perder.
E tantas mulheres desejam ser mães e não coseguem...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Beautiful Boy

Feche seus olhos
não tenha medo.
O monstro se foi.
Ele está correndo para longe e seu papai ( agora do céu...) está aqui.
Lindo, lindo, lindo
Lindo menino
Lindo, lindo,lindo
Lindo menino.

Antes de dormir
Faça uma pequena oração ( por nós, que ficamos...)
todos os dias em todos os sentidos
está melhorando, melhorando.
Lindo, lindo, lindo
Lindo menino
Lindo, lindo, lindo
Lindo menino.

No oceano que veleja afora
Eu quase não posso esperar
Para te ver mais velho ( e eu queria tanto...)
Mas eu acho que vamos apenas ter que ser pacientes
Porque o caminho é longo
Uma vida dura para vencer
Sim é um caminho longo
Mas enquanto isso

Antes que você atravesse a rua
Segure minha mão
Vida é o que acontece a você (e eu tenho que acreditar nisso...)
Enquanto você está ocupado
fazendo outros planos ( e que sejam lindos como você)

Lindo, lindo, lindo
Lindo menino
Lindo, lindo, lindo
Querido Alexandre

John Lennon

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Saudade

Você dormia e eu pedia com todas as minhas forças para que você acordasse.
Pedi a todos os santos de minha devoção, ao seu anjo da guarda e aos espíritos de luz ( em especial para aquele que sempre me atende ). Mas dessa vez nenhum deles me ouviu.
E quando o inesperado aconteceu eu ouvi, em desespero, que não adiantava pedir pois não havia ninguém para escutar.
Fico pensando que força é essa que arranca da gente a pessoa que amamos mesmo quando todos pedem para que ela fique. Que força é essa que destrói sonhos e ilusões de juventude...
E confesso que não sei.
Será que é a mesma força que trouxe você um dia para a minha casa? Que fez com que tivéssemos tantos momentos felizes?
A fé que permanece em mim me faz acreditar que eu ainda entenderei.
Não sei quanto tempo terei que esperar mas estou aqui aguardando até o dia em que você me dará a resposta.
Por enquanto, obrigada por tudo.